quarta-feira, 14 de maio de 2014

“Dom Luciano Mendes de Almeida, um santo nos e dos pobres”




“Dom Luciano conseguiu viver a proposta inaciana: “Ver Deus em todas as coisas”
(J. B. Libanio)

A Arquidiocese de Mariana se alegrou, ontem, ao lembrar mais um dia em que Dom Luciano foi participar da eterna felicidade com Deus. Inúmeras pessoas se fizeram presente na celebração eucarística, presidida pelo cardeal Dom Serafim, arcebispo emérito de Belo Horizonte, que ressaltou sua grande amizade e irmandade com Dom Luciano: “Dom Luciano era mais que um amigo, mais que um irmão para mim!” ressaltou o próprio cardeal ao fim da celebração.
Ainda durante a celebração, o pregador Pe. João Batista Libanio – amigo e companheiro Jesuíta de Dom Luciano, desde o noviciado – destacou todo o amor que Dom Luciano tinha pela causa dos pobres e dos mais necessitados. A liturgia lembrava o evangelho de Mt 25, 1-13, no qual Jesus conta a parábola das virgens com as lâmpadas. O pregador enfatizou que “se a comunidade de Mateus tivesse conhecido Dom Luciano, ela teria colocado uma terceira classe de pessoas no evangelho: as que além de estarem prevenidas com o necessário para esperar o Senhor, não cochilariam jamais”. Libanio afirmou que Dom Luciano assumiu, incorporou e vivenciou a passagem de Mt 25, 35-36: “Eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro, e me receberam em sua casa; eu estava sem roupa, e me vestiram; eu estava doente, e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e vocês foram me visitar”. Com entusiasmo e carinho de amigo, o padre Jesuíta encerrou sua homilia salientando que o quarto Arcebispo de Mariana e santo dos pobres, conseguiu viver o princípio inaciano vendo em todas as coisas Deus. Desde o subir em um palco e fazer seus amigos sorrirem, até a ajuda a um pobre que clama por sua atenção, ou ainda na defesa das pessoas que sofrem com um torturador ditatorial.
Ao término da celebração, Dom Geraldo Lyrio Rocha, atual arcebispo de Mariana, anunciou oficialmente que a Arquidiocese – com o apoio de mais de 300 bispos da CNBB – fará tudo que for necessário para a abertura do processo de Beatificação de Dom Luciano. Ao ouvirem essas palavras, todo o povo encheu a Igreja da Sé de Mariana com calorosas palmas, expressando assim todo o desejo e confiança que se tem na santidade de Dom Luciano, agora não vivida só na Terra, mas também no céu, junto de Deus.

Jackson de Sousa Braga
27 de Agosto de 2011

5 anos do Falecimento de Dom Luciano Mendes de Almeida



P.S.: No dia 13 de Maio de 2014, a arquidiocese de Mariana divulgou que o processo de beatificação foi aceito pela Santa Sé. Que N. Sra. de Fátima interceda para que este processo tenho um rápido e bom desenvolvimento e, assim, a santidade de São Luciano dos pobres seja reconhecida por toda a Igreja, como já é uma certeza para todo os brasileiros que o conheceram. cf.: http://www.arqmariana.com.br/autorizado-inicio-do-processo-de-beatificacao-de-dom-luciano/

sexta-feira, 14 de março de 2014

O bispo de Roma do fim do mundo

“O carnaval acabou, não vou usar isso!” (Francisco)

O fim dos tempos e principalmente da vida humana sempre foi um problema ou questão que nos deparamos e procuramos compreender e/ou adiar. Já escutamos tantas vezes profecias do fim do mundo, que ao ouvirmos um novo anúncio de tais datas não nos surpreendemos ou até mesmo fazemos chacota de suas hipóteses, mesmo que nos preocupemos com tais questões. Porém, no dia 13 de março de 2013, ouvimos depois de um caloroso “boa noite” (Buena Sera!) que um senhor havia vindo do “fim do mundo” para ser o bispo de uma das primeiras – senão a primeira – diocese cristã da humanidade.
            Tenho que concordar que o termo “fim do mundo” usado por este senhor, cujo nome passou a ser Francisco, foi num sentido de lugar e não de momento temporal. Contudo, quero aqui refletir também sobre o significado temporal que sua ação episcopal trouxe-nos neste primeiro ano de pastoreio petrino[1].
            Ao saudar ao público presente com o “boa noite”, Francisco mostrou ao mundo que ele era um homem que estava na história humana e que dialogava da mesma forma como todos. Isto é, Francisco é uma lembrança do Jesus que não chegava com solenidades e/ou rituais litúrgicos, mas antes com uma abertura para o diálogo – normalmente, quando nos aproximamos de alguém para o diálogo fazemos uma saudação: “bom dia!”, “como vai?”, “E aí? Tudo bem”. Com estas palavras e todas as outras que vem falando ao longo deste ano, o atual bispo de Roma mostrou-nos o estilo cristão que precisamos ter ao levar o anúncio de Jesus que é o diálogo que se abre para outro e não impõe (de forma até mesmo violenta) discursos: “Queria bater em cada porta, dizer um ‘bom dia’, pedir um copo de água, beber um cafezinho, e não um copo de cachaça” (Francisco na favela de Varginha, RJ).
            Além disso, ser o sucessor de Pedro do fim do mundo é manifestar que o início chegou a partir do fim. Francisco vem do fim do mundo em dois sentidos, conforme lembrei acima: Num primeiro, o temporal, Francisco vem para nos lembrar que estamos em uma mudança de época e que a Igreja precisa perceber e viver esse tempo de fim que é capaz de iniciar: “A Igreja sempre deve ser reformada...” (Homilia dia 09/11/13, na Casa Santa Marta); No segundo sentido, o físico, Francisco vem do continente onde mais se encontra fieis católicos no mundo e também traz a característica de uma Igreja periférica e bem diferente do estilo europeu, conforme nos lembra Leonardo Boff:

Ele não vestiu o figurino clássico do “papa monarca” com o primado jurídico absoluto e com a supremacia doutrinal e pastoral. Ele se entende com bispo de Roma e quer presidir na caridade. É importante observar que esse papa cresceu dentro do caldo cultural e eclesial da Igreja latino-americana, cujo rosto é muito diferente da Igreja da velha cristandade europeia. É uma Igreja viva, com comunidades de base, com pastorais sociais fortes, com figuras de bispos proféticos e com mártires da perseguição das ditaduras militares.[2]

Posso salientar ainda que Francisco é o estar na história humana e assumi-la numa postura mundana, que vive com intensidade as coisas humanas. Francisco tem nos mostrado que ele é um humano como todos os outros, sem escapar dos erros, dos trabalhos, das atividades etc. Lembro-me aqui do bispo de Roma que ousa assumir que já cometeu furtos, que já chegou a utilizar drogas e que, mesmo tendo isto em sua história, consegue ser uma pessoa boa e que anuncia um Reino de Deus, assim como Jesus o fez. O sucessor de Pedro deixa claro que todos, sem exceções na e da sua história, são anunciadores do Reino de Deus. Também é um bispo que acolhe a todos, sem medo de se aproximar de forma totalmente física das multidões e das pessoas. Aproxima-se tanto no contato humano-físico-espiritual dos que estão marginalizados (mulheres, jovens, drogados, pobres, idosos, gays, não-católicos e não cristãos, etc.), quanto das multidões que querem experimentar o contato de afeto e de alegria, assim como fez o Nazareno: “‘Mestre, a multidão te comprime e te esmaga’ Jesus insistiu: ‘alguém me tocou; eu senti uma força que saía de mim’” (Lc 8,45).
            Ainda tenho que salientar também que o novo ocupante da cátedra de Roma é uma revolução na Igreja. Só que ele é um revolucionário que deseja mudar antes de tudo a si mesmo, trazendo, antes de uma reforma na Cúria, uma reforma no Papado[3]. Ele já sabe que deve ter cuidado com a intitulada “lepra do papado” e também que deve ser mais aberto às mudanças que darão oportunidade a todos de participarem da Igreja de forma decisiva e não simplesmente passiva.
            Sendo assim e sabendo que não disse tudo que já se fez e ainda vai ser feito, só nos resta dizer e também praticar o moderníssimo #TAMOJUNTO Francisco, pois temos consciência que o cristianismo precisa de pessoas disponíveis e amantes de Jesus e de seu projeto do Reino de Deus. Portanto, após este bom período da transfiguração do papado e escuta da Palavra, é hora de deixar que nossos ouvidos e olhos vejam e ouçam de Jesus, assim como no monte Tabor: “Levantai-vos e não tenhais medo!” (Mt 17, 6b).

JACKSON DE SOUSA BRAGA
#SENDOJUNTO_NA_FÉ
Viçosa, 15 de março de 2014.




[1] Saliento que não estou aqui querendo compará-lo com algum de seus antecessores ( por mais que João Paulo I tenha características muito parecida) ou torná-lo superior, mas antes desejo mostrar que ele é uma diferença bela e importante que considero histórica e única.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

“Achareis o menino envolto em panos” (Lc 2, 12)



"Devemos ver o brilho do astro e não a escuridão que o rodeia"
(Por que Deus criou as estrelas?)


A data histórica hoje celebrada é um tradição antiquíssima que nos lembra o nascimento do maior ser humano da história, Jesus de Nazaré. Sei que não é hábito que se narre nenhum nascimento num estábulo e com a presença de reis, mas temos inúmeros nascimentos que acontecem ainda hoje em locais precários ou ainda com presenças inesperadas e até mesmo ilustres. Por isso, quero hoje escrever sobre a importância do receber uma nova figura, alguém que possa ressignificar a história e mudar as pessoas. O título que escolhi, deixa claro que quero falar do grande nascimento da história como um nascimento que tem a mesma marca de todos, ou seja, que de tão humano se torna divino – parafraseando a famosa frase boffiana.
            Jesus nasceu da mesma forma que todos nós, sem nenhuma diferença ou privilégio. Creio que Ele deve ter sofrido a dor das lágrimas ao ser expulso da proteção e aconchego do útero, necessitado das limpezas e preparação da parteira, festejado a acolhida e amparo paterno e materno e clamado pelo calor das mantas que nos protegem do frio do mundo. Por isso seu nascimento é um nascimento que se torna simples e como o de todos humano. Não podemos pensar em seu nascimento como um fato extraordinário ou como algo que foge a alçada da capacidade humana de existir e experimentar.
            Talvez, esteja se perguntando: “Por que então celebrar um nascimento comum? Só porque Ele era o Filho de Deus?” Diante desta pergunta, eu poderia inquietar o questionador: “Por que não celebrar um nascimento comum?”
            Este Jesus que nasceu sonhava com isto. Seu objetivo era tornar a vida humana um fato marcante e importante e não uma ocorrência matemática que se soma as outras inúmeras. Jesus ensinou-nos a observar a vida como um presente e uma dádiva. Por isso, seu nascimento se tornou o nascimento dos nascimentos, pois seu significado especial não foi dado por outros, mas por Ele mesmo. É hora de lembrarmos que o milagre da vida é um fato que ultrapassa nossa simples percepção e torna-se o início da maravilhosa história humana.
            Nascer é tornar a vida um caminho que se fará junto aos outros, com a presença da amizade, do amor, das alegrias, mas também com as tristezas, decepções e sofrimentos. Nascer, depois de Jesus, é experimentar a oportunidade de sermos felizes aqui e, mesmo diante do sofrimento, não deixar que a história humana se torne um fardo ou um peso. Nascer é antes de tudo celebrar nossa existência e fazer dela um dos maiores bens que a humanidade tem. Por isso, o Nascer, a partir de Jesus, não é mais um fato que todos passamos, mas antes um Natal que todos podemos viver.
            Para não terminar, mas provocar quero dizer que celebrar o nascimento de Jesus é celebrar o início de uma nova história, onde a vida humana acontece de forma humana e por ser humana é digna de significado e importância. Jesus não se tornou o maior homem da história com seu nascimento, mas antes por sua vida e morte. Sendo assim e seguindo seu exemplo, vamos fazer de nossa história uma estrela cintilante digna para o nosso nascimento?

JACKSON DE SOUSA BRAGA
Pensando na Estrela-Guia
25 de dezembro de 2013

sábado, 23 de novembro de 2013

Jesus de Nazaré, Rei do Universo?



Neste fim de semana se comemora uma festa tradicional, mas não original ao projeto de Jesus de Nazaré: Jesus, Rei do Universo. Sabendo disso, quero aqui refletir um pouco sobre o sentido dado ao termo Rei, quando o mesmo tenta se referir a Jesus na Sagrada Escritura. Além disso, quero salientar que o projeto do Reino de Deus não visa criar um Rei, cuja realeza imponha o serviço e obediência (sendo-lhe lícito condenar), mas antes uma família de amor, cujo Pai/Mãe vive intensamente uma relação de amor e familiaridade, acolhendo e protegendo todos(as) os(as) filhos(as) – sem exceção.
Quanto ao termo Rei, posso atestar que Jesus não se proclama como Rei em nenhum momento na Sagrada Escritura – nem mesmo ao Pai, Ele aplica este termo. Jesus afirma o Reino de Deus, mas não afirma nem a si e nem ao Pai como reis. Provavelmente, esteja remetendo às origens do povo judeu, que é condenado pelos profetas quando escolhe um rei para o si (Samuel contragosto consagra Saul como o Rei de Israel – Cf. I Sam 8). Podemos ainda observar que todas as vezes que Jesus foi chamado de Rei nos Evangelhos foi como uma forma de humilhação. Inclusive, o evangelho desse fim de semana (Lc 23, 35-43) deixa claro que o termo “rei”, quando aplicado a Jesus, é feito em forma de humilhação: “Se tu és o rei dos judeus, salva a ti mesmo! Acima dele havia um letreiro: Este é o Rei dos judeus”. Jesus tem como meta trazer para a humanidade um Reino que tenha o serviço como projeto e não uma soberania absoluta.
Ressalto ainda que o Jesus humano e simples, mesmo diante de toda essa humilhação, foi capaz de acolher o outro na fidelidade e amizade. Encanta-me o texto, porque não há um pedido de perdão, mostrando que a meta de Jesus não é fazer um joguinho mercantil de “salvo, você pede perdão e eu lhe perdoo!” A salvação é dada sem nenhuma cobrança ou esperança de ações corretas. Jesus já garante que todos são amados e salvos por Deus. Este não se sente no direito de condenar eternamente alguém por um ato temporal, mas se dá o direito de amar a todos como seus(suas) amados(as) filhos(as) que são dignos(as) de viver a eternidade das alegrias do banquete do Pai. É interessante observar que o ladrão não nega sua condição de ladrão, mas antes a assume e confia-se a Jesus: “lembra-te de mim!” Percebo aqui o Jesus que acolhe, ama e anuncia a salvação das prostitutas, dos pagãos, dos hereges, dos amasiados, dos homoafetivos etc. (Conforme salientei a santidade destes no texto anterior). E, ao mesmo tempo, Jesus expressa a calúnia que os “profissionais do sagrado” têm o costume de fazer ao proclamar Jesus como um rei manipulador que quer julgar e condenar os que deseja – que seria uma injustiça, contrária ao projeto de ser o Justo Deus.
Finalmente quero dizer que Jesus não é Rei e nunca pretendeu sê-lo, nem de Israel nem do Universo. Seu sonho é um Reino de Amor, que é Deus (Cf. I Jo 4,13). Reinar para Jesus se associa a sofrer, padecer, receber espinhos como coroa, ter títulos que humilham e ser humilhado por “profissionais do sagrado” e seus guerrilheiros. Infelizmente, na história da fé cristã, muitos “santos” fizeram de Jesus seu Rei absolutista, representado por pontífices esfomeados de poder. Estes motivavam guerras tidas como “santas” e até mesmo inquisições assassinas. Por isso, sinto-me motivado a dizer contra essa mentalidade de Jesus como Rei oligarca e junto com Frei Marcos: “O reinado de Cristo é um reino sem rei, onde todos servem e todos são servidos.”
Portanto, tenho a alegria de dizer que o Reino de Deus não é um reino institucional e burocrático, mas um Reino do serviço, do amor familiar e acolhedor dos excluídos: “No Pai-Nosso, dizemos: "Venha o vosso Reino", expressando o desejo de que cada um de nós façamos presente a Deus como a seu Filho Jesus. E todos sabemos perfeitamente como atuou Jesus: a partir do amor, da compreensão, da tolerância, do serviço. Todo o resto é discurso. Nem programas, nem doutrina, nem ritos servem para nada, se não entramos na dinâmica do Reino” (Frei Marcos).


JACKSON DE SOUSA BRAGA
Sem Rei e com o irmão Jesus
 23 de novembro de 2013.


domingo, 3 de novembro de 2013

“Sede Santos como vosso Pai celeste é santo” (Mt 5, 48)...



No Brasil, além do dia 1º de novembro, comemoramos o dia de todos os santos também no domingo que segue a tal data e fiquei pensando nos muitos modelos de santos e pessoas justas que temos – inclusive lembrei do poema de João Paulo II sobre os santos de hoje. Diante dessa lembrança, tenho a alegria de refletir um pouco hoje sobre os nossos santos de hoje, dado que a festa de todos os santos lembra-nos praticamente das pessoas que viveram intensamente o existir nessa história e agora vivem a ressurgir na eternidade de nossas memória (lembrando-me da bela reflexão de meu amigo Juliano). Nestas breves palavras, quero falar de muitos e tantos santos que hoje não têm a dignidade dos altares, mas que fazem de suas vidas uma santidade que quiçá seja maior do que a dos que estão nos altares sendo venerados.
            Quero lembrar-me aqui de alguns santos que não entram em padrões da santidade que a sociedade e as instituições religiosas têm, mas dos tantos humanos de nosso dia-a-dia, amantes radicais do ser humano e viventes intensos do amor ao outro que de tanta intensidade seria ingratidão de nossa parte negar-lhes a graça de estar contemplando o Sendo Àquele que Sendo (Ex 3,14).
            Um dos grupos de santos que muitos conhecemos são as pessoas que se encontram e trabalham em casas de prostituição. As religiões infelizmente santificam de forma exagerada a virgindade e o celibato como algo que nos aproxima de Deus e por isso as prostitutas (os) não entram nos altares para serem lembradas e veneradas. Contudo, se observarmos, perceberemos que essas pessoas sofrem as dificuldades da existência, amam os próximos excluídos e marginalizados (inclusive vivem e estão com eles), ouvem e ajudam às pessoas que lhes procuram e sacrificam seus corpos intensamente, completando em sua carne o que falta ao sacrifício de Cristo pelo seu corpo (Col 1, 24). Lembro-me aqui de tantas dessas pessoas que se aproximam de Deus e são acusadas pelos olhares condenadores dos muitos profissionais do sagrado que primam pela percepção do pecado e não pelo amar intenso de Jesus . Por isso, quero dizer, com a confiança de um devoto: “SANTAS(OS) PROSTITUTAS(OS), ROGUEM POR NÓS!”
            Outro grupo que é exageradamente excluído da dignidade dos altares é o grupo dos homoafetivos. O papa Francisco foi muito feliz em suas palavras quando questionou: “Se uma pessoa gay quer procurar Deus, quem sou eu para negar-lhe?” Sabemos, porém, que a dignidade dos altares é negada a essas pessoas que amam aos iguais como iguais, que sentem-se diferentes junto com os diferentes... Seria um pecado não citar o grande amor que esses dignos filhos(as) de Deus têm pelos seus irmãos, irmãs: já os vi a cuidar dos projetos da fé, dos templos e a doarem seus dons em prol da causa de que são excluídos e muitas vezes marginalizados, pelos mesmos muitos profissionais do sagrado que manipulam o poder das instituições religiosas (muitas vezes, nem lhes permitem a recepção do corpo e sangue de Cristo). Além disso, não deixo de lembrar aqui dos muitos projetos que tentam tratar-lhes como doentes ou dotados de “desvio conduta”. Mas, diante dessas palavras, só posso me lembrar das palavras de Cristo: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultais, porque será grande a vossa recompensa nos céus." (Mt 5, 11-12)... Sendo assim, só posso dizer: “SANTOS(AS) HOMOAFETIVOS(AS), ROGUEM POR NÓS!”
            Um terceiro grupo de pessoas que são excluídas da dignidade dos altares são os tidos como Hereges, excomungados, contra-doutrina etc. Infelizmente, as instituições religiosas são, na grande maioria dos casos, excessivamente doutrinárias e pouco dialógicas. São como soldados ferozes da defesa, que não se abrem para ouvir e ser ouvidos, mas antes são defensores de suas crenças. E todos que escapam delas, são tidos como ex-comungados ou são silenciados (lembro-me aqui de Bruno, Lutero, João Calvino, Galileu...). A santidade dessas pessoas é destaca quando somente se aponta os suas posições contra-doutrinárias e não as ótimas ideias e até mesmo reflexões além-de-seus-tempos que elas doaram a humanidade de suas épocas... lembro-me aqui do momento mais importante para perceber o Jesus ruptor que com toda certeza foi o maior artista de ruptura de todos os tempos: “Ouviram o que foi dito... Eu, porém vos digo...” (Mt 5, 27-28) Por isso, digo com fé: “SANTOS(AS) ALÉM-DOUTRINA, ROGUEM POR NÓS!”
            Um quarto grupo de santos que creio que está nos céus é o das pessoas em segundo casamento (amasiadas). A estas pessoas são negados inúmeros sacramentos, ou melhor falando, só lhes permitem receber o sacramento da penitência – são consideradas somente como pecadoras e é-lhes negada a graça da comunhão do corpo e sangue de Cristo e dos demais sacramentos da Igreja. Podemos perceber que o sonho dessas pessoas é a felicidade de seus irmãos (ãs) no amor e não a fuga da experiência de compromisso para com os outros. Infelizmente, a manipulação do compromisso matrimonial pelas instituições religiosas fez com as estas tornassem o matrimônio como outra instituição que é regida por leis excessivamente rígidas, as quais são pouco preocupadas com os casos particulares. Pelo sacrifício que estas pessoas fazem, mesmo sem culpa e pecado algum, posso dizer: SANTOS(AS) AMASIADOS(AS), ROGUEM POR NÓS!
            Inevitavelmente, esses não são os únicos santos fora dos altares e que, provavelmente, não terão lugares nos tronos dos templos religiosos, mas falei desses grupos, pois nunca vi sua lembrança nos dias dos santos. Sei que nem todos são santos – tanto no grupo dos santos reconhecidos (“santos inquisidores”, “santos reis de guerra”, santos membros de instituições que criaram leis para oprimir os outros, etc.), bem como no grupo dos santos além-institucionais ( existem os que são da prostituição e exploram as pessoas em casas de prostituição; homoafetivos que são extremamente preconceituosos contra os seus; além-doutrinários que se revoltaram e começaram a praticar o mal; e amasiados que se dão o direito de brincar com o sentimento dos outros, etc.). Porém, posso encerrar essas palavras, afirmando que em sua grande maioria todos os seres humanos, que são excluídos, têm a grande graça de ter melhorado o mundo e feito o bem com suas pequenas-gigantes ações... por isso, “ALÉM-DOS-SIMPLESMENTE-SANTOS, ROGUEM A DEUS POR NÓS!”


JACKSON DE SOUSA BRAGA

Com os santos de minha vida, 03 de novembro de 2013.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Ó, Mãezinha da Boa Viagem!


Saúdo-a, ó Mãe da Boa Viagem, com a alegria de um filho que lembra de seu colo maternal e acolhedor. Não quero nessas palavras tornar-me mais um a dizer-lhe versos, a cantar-lhe cantigas e a celebrar sacrifícios. Quero antes, ser como seu Filho: a dizer e encontrar a liberdade de fé, a cantar a melodia do amor e da vida e a celebrar a alegria da relação com os outros e nos outros. Sou grato pelas vezes em que me carregou em seu colo materno, pelas vezes em que me alertou dos perigos, pela companhia na solidão e, principalmente, pelas viagens desse estrangeiro que sou.
Sim, minha mãezinha, sou um estrangeiro! Um estrangeiro neste meu eu, que é a cada dia revelado e encoberto pelo véu do novo... Sou um estrangeiro a caminhar na vida de tantos e dar-me o direito de entrar nos territórios sagrados de suas histórias... Sou um estrangeiro a dizer o desconhecido e a proclamar o silêncio... Sou um estrangeiro, sem história, só e caminhante: Para onde? Não sei, sou simplesmente... antes de tudo, um estrangeiro na verdade, de cujos monopolizadores faço-me opositor...
Mãe, sou um filho-estrangeiro que... como adulto precisa de suas mãos para me ajudar nos tombos dos primeiros passos. Porém, como criança, peço-lhe o direito de partir de cajado nas mãos e livros na bolsa... Como esposo, peço-lhe que ensine-me a fazer de meu encontro com minha amada uma imagem de Deus, assim como fazia com José no coito nupcial no dia da concepção de Jesus. Porém, como solteiro, ensina-me a respeitar meu corpo e a festejar suas alegrias... Como um ignorante, dai-me a graça de orientar e celebrar com e o rebanho de seu Filho rumo ao encontro da Verdade. Porém, como sacerdote, ensina-me a igualdade e a sê-lo: “Com exemplos e não simplesmente com documentos”.
Querida mãezinha da Boa Viagem, olha por nós, seus filhos! Escuta nosso agradecimento, mesmo nas incertezas do amor... ama-nos, mesmo quando a decepcionamos... Ensina-nos mesmo diante de nosso orgulho de ignorantes... ouve-nos, mesmo diante de nosso silêncio soberbo... carrega-nos mesmo que nos sintamos grandes o bastante para rejeitarmos o colo... OBRIGADO, ACIMA DE TUDO!

“Mãe e Mulher de Nazaré, fizeste viagem com fé,
Unida a teu esposo José, vai nos guiando pela maré.
A procura de ouro trouxeste a Del-Rey nestas terras sagradas,
Boa Viagem rogai, por nós, a Trindade amada...”



Jackson de Sousa Braga
Em Itabirito de coração, 15 de agosto de 2013
Dia de Nossa Senhora da Boa Viagem

sábado, 30 de março de 2013

“O SEPULCRO ESTÁ VAZIO”


Vivemos em tempos onde o vazio nos inquieta e até mesmo nos incomoda. Somos os seres da era do barulho, dos sons constantes, da negação da solidão, do afastamento do silêncio... o vazio deixa-nos imersos no medo e na insegurança de um mundo onde o prático e pronto mandam. A experiência da morte é disfarçada pela ilusão do prazer desenfreado e o sofrimento é negado pelos ídolos do “ser feliz para sempre”. Neste contexto, encontramos um sepulcro vazio, que parafraseando Sto. Agostinho, seria o tão antigo e o tão novo local de encontro para nós.
            Este sepulcro é caracterizado pelo vazio, por este mesmo vazio que falamos acima, e que até hoje tanto nos incomoda. Contudo, o seu vazio pode ser ressignificado a partir da percepção de sua causa: a Ressurreição do homem Jesus. Ainda, poderíamos nos perguntar se tal vazio é garantia de sua ressurreição? Com certeza, de uma forma empírico-científica, NÃO! Porém, a partir de uma leitura hermenêutica, podemos ver a ressurreição acontecendo nesse local do encontro de vivos e de mortos.
            Essa ressurreição, inevitavelmente, está acontecendo na história e no vazio, quando percebemos o chamado sem preconceitos, a partilha do Pão, a missão renovada e a Paz fortalecedora.
            O chamado sem preconceitos acontece quando olhamos para o outro superando a artificialidade das relações, deixando o som de nossas palavras ressoarem em seus ouvidos com uma intensa e profunda intimidade. O chamado que a mulher na porta do sepulcro vazio ouve é caseiro, é único, é familiar: “Maria!” (Jo 20, 16a). Por isso, é ressurreição, porque deixa próximo do amado (a). Quisera, todos, poderem se sentir perto da vida, perto do outro, perto do “Reino de Deus” e das sonhadas bem-aventuranças do Ressuscitado.
            A partilha do Pão é o maior sonho daquele homem que atuou multiplicando a esperança dos próximos necessitados. O repartimento do alimento e os ensinamentos ao longo do caminho fazem com que a solidão escura do vazio seja completada pelo fogo ardente da presente de vida em nossos corações (Cf. Jo 24, 30-31). Ele está vivo quando o vazio do egoísmo é superado pela alegria da divisão das conquistas e da partilha. Quisera o Ressuscitado estar presente no pedaço de pão-palavra dado a cada discípulo desesperançado de fé.
            A missão renovada se torna ressurreição quando o convite do arremesso das redes é dado aos fatigados e cansados dispensadores da esperança. Quantas e quantos decidem voltar aos trabalhos árduos e pouco produtivos quando podiam fazer do sonho humano de igualdade e fraternidade entre todos uma pesca milagrosa de confiança no amor da vida (cf. Jo 21, 6). Quisera o Ressuscitado poder saborear o gosto festivo do alimento conquistado pela renovação dos missionários e da missão.
            Por fim, o único presente que a Ressurreição pode trazer é a paz. Mas, não se pense que paz é sinônima de anulação das perturbações. Ela é, antes de tudo isso, uma paz fortalecedora – cujo objetivo principal é motivar para a missão e para a inquietação-provocação em busca da grande e maravilhosa instauração do Reino do humano Deus: “A paz esteja convosco!” (Jo 20, 19). Quisera o Ressuscitado também continuar a graça desse desejo-convite de paz motivadora.
            Portanto, o vazio é uma dor no sepulcro quando a morte é seu único fundamento. Porém, quando a ressignificação do Homem do Reino de Deus acontece, o desejo de vida é o maior motivador do ideal da Ressurreição e é somente a atuação e gestos continuados do Ressuscitado que fazem da vida trazida na Cruz a luz para a esperança do céu.


           
JACKSON DE SOUSA BRAGA
No sepulcro vazio, 31 de março de 2013, 00h51min.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A necessidade humana de relação e o matrimônio como Imago Dei. no Gênesis





1.     Introdução
            O relato do Gênesis é um texto levado a questionamento e críticas pejorativas por inúmeras pessoas que desejam o compreender a luz dos avanços científicos ou ainda para uma leitura fundamentalista do seu texto. Mas, olhando-se o texto a luz de seu tempo e ainda apontando os aspectos fundadores de sua elaboração poderemos fazer uma análise mais atenta do que o texto tem a nos dizer e ensinar.
            Tendo isto em vista, este trabalho pretende em fazer uma apreciação, mesmo que a grosso modo, do contexto histórico da elaboração do texto bíblico do Gênesis, destacando-se os dois momentos de elaboração dos textos bíblicos; apontando as principais fontes israelitas e não-israelitas e finalmente chegar a uma crítica e aprofundamento sobre a questão da imagem de Deus no casal humano e a sua relação descrita de diferentes modos no relato da criação; ainda apontaremos uma tentativa de atualização e hermenêutica do texto para a atualidade.
            Ressalta-se que não se tem a pretensão de solucionar todas as questões sobre o texto, mas levantar provocação que possam nos levar a aprofundamentos posteriores sobre as mesmas temáticas.


2. Contexto histórico

            O contexto histórico influencia diretamente na elaboração dos textos na Sagrada Escritura. Sendo assim, neste primeiro tópico pretende-se expor uma análise geográfica e o contexto social no qual os israelitas estavam vivendo e ainda as possíveis causas do desenvolvimento do texto.
            Devemos salientar antes que, no Novo Testamento, todo o Pentateuco é atribuído a “Moisés”, muitas vezes recebendo o título de “Livro da lei de Moisés”, porém em todo Pentateuco a figura de Moisés é colocada em terceira pessoa e não na primeira. Constatando-se assim, que o livro do o Pentateuco é um livro que destaca a importante e decisiva participação de Moisés na história do povo de Israel e não um livro de sua própria autoria empírica e direta[1].

2.1. Gênesis 1,1 – 2,4a

            Tratando especificamente do Gênesis e ainda mais propriamente do texto Gn 1,1 - 2,4a tem-se a informação que este texto fora desenvolvido pela escola sacerdotal[2], a qual tinha como intuito principal “salvaguardar e reforçar os sinais da identidade do povo de Israel em perigo de extinção”[3]. O contexto em que se encontravam os que compilaram esse pensamento era do exílio e pós-exílio[4]. Por volta do ano 578 a.C os babilônicos ocupam Jerusalém e, assim, se tem o início do exílio (587 -538 a.C) para o povo judeu.[5]
Conforme afirmamos, o seu processo do desenvolvimento se dá na Babilônia, no período do exílio, com forte influência dos poemas da criação que os povos da Babilônia traziam em sua cultura. O povo de Israel não tinha rei nem mesmo templo e para manter sua identidade surgindo então a necessidade da escola sacerdotal elaborar um discurso sobre a Criação, destacando a origem do mundo, do homem e ainda a história de Israel.
            Portanto, podemos constatar que o contexto em que se encontravam os que desenvolveram esse relato da criação era a Babilônia, no momento do Exílio e seu desejo principal, ao elaborarem o relato bíblico, era manter a identidade do povo israelita.

2.2 Gênesis 2, 4b a 2, 25

            Tratando-se do segundo[6] relato sobre a criação Gn 2,4b-2,25, sabemos que foi elaborado por volta do século X a.C pela chamada escola Javista[7]. Esta tradição nasce no Sul de Israel, no tempo do rei Salomão.[8] Seu desejo é demonstrar que a salvação é para toda a humanidade.
            Este relato tem influência dos mitos mesopotâmicos. O autor utiliza elementos que pertenciam a seu mundo cultural. Destacam-se dois poemas marcantes que influenciaram na elaboração deste texto bíblico: Enuma elish e o poema de Gilgamés[9]. Como nos poemas, este relato e todos elaborados pela escola Javista observam-se a antropomorfização de Deus, o qual se interessa pelos problemas humanos e suas dificuldades.[10]
Sendo assim, podemos constatar que o contexto em que se encontravam era o da monarquia israelita (Salomão), no Sul de Israel, por volta do século X. a.C. e o desejo do redator era lembrar ao povo de Israel que sua história é uma história de salvação para toda a humanidade.
            É fundamental ainda destacar que houve um último que redator que compilou o texto Javista e Sacerdotal, por volta do século V a.C.:
As duas tradições foram conjugadas pelo último redator (século V a.C) na narração do dilúvio (cap. 6-8), enquanto aparecem entrelaçadas. Embora distintas, no outros capítulos. Isto significa que o redator fez suas ambas as tradições, aceitando a mensagem que transmite a seus destinatários na apresentação catequética do relato das origens.[11]

3. As Escolas Javista e Sacerdotal e suas fontes

            Sabendo-se assim do contexto histórico, podemos agora adentrar de modo mais direto nos redatores dos relatos bíblicos que iremos analisar neste trabalho. Conforme dito são eles: Javista e Sacerdotal. Porém, também será de fundamental importância observarmos com atenção as fontes externas ao povo de Israel. Isto é, além das tradições orais, estes relatos bíblicos do Gênesis receberam influências de relatos mesopotâmicos e babilônicos.

3.1 Escolas Sacerdotal e Javista

3.1.1. Escola Sacerdotal

            Esta escola sacerdotal (representada pela letra P, alemão priesterkodex: código sacerdotal) surgiu durante o exílio na Babilônia e foi iniciada por sacerdotes, vinculados a Ezequiel. A redação final dos textos elaborados pela escola sacerdotal se deu no tempo da missão e reforma de Esdras (por volta de 450 a.C), mas mesmo assim um redator sacerdotal pouco tempo depois dá o aspecto final e definitivo no texto.  Ele une as tradições anteriores (Javista, Eloísta, Deuterônomista e Sacerdotal – JEDP), formando assim, definitivamente o Pentateuco[12].
            Conforme dito, a escola sacerdotal quer manter a identidade do povo israelita, por isso elabora seus textos destacando e lembrando os costumes de seu povo. Podemos observar, como exemplo, a grande importância do sábado no texto que estudamos:
“Assim foram concluídos o céu e a terra, com todo seu exército. Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizera e no sétimo dia descansou, depois de toda a obra que fizera.” Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nele descansou depois de toda a sua criação. Esta é a história do céu e da terra, quando foram criados.”[13]
Como é sabido, o sábado[14] é um dia sagrado para o povo judeu, que estava sofrendo no exílio. Sendo assim, o autor sagrado deve destacá-lo para lembrar que desde os primórdios da humanidade Deus o guarda e pede que o homem o respeito como dia sagrado: “Deus descansou de uma só vez por todas e convida sua criatura a descansar com ele.”[15].
            Outro aspecto que a escola sacerdotal destaca é transcendência de Deus em relação a toda a criação. Deus cria e mostra seu poder por sua palavra: “igualmente destaca-se a transcendência de Deus que cria por meio de sua palavra, sem misturar-se nem se confundir em momento algum com a realidade criada”[16]. No relato da Criação 1,1 – 2.4a o autor sagrado sempre destaca Deus dando ordens e manifestando seu poder criador. É pela palavra de Deus que acontece o poder de Deus e ainda esse poder é sempre bom. Toda a visão sacerdotal destaca a criação como uma obra positiva produzida por Deus.
            O grupo sacerdotal ainda enfatiza a benção Deus para os que ele cria. Deus concede, no Gênesis, a benção à criação que tem vida e ordena a multiplicação: “sede fecundos, multiplicai-vos...”[17]. Podemos observar no texto que a benção para o ser humano inclui a altivez em relação a terra e os seres vivos. O homem e a mulher são visto como a maior de toda criação e devem dominar as demais[18].

3.1.2. Escola Javista

            A escola Javista (representada pela letra J) é chamada assim, devido ao uso do nome de Deus como YHWH. Esta escola surge depois do longo período de transmissão oral, no reino de Judá entre os anos de 850-750 a.C. Após a ruína do reino do norte (Israel) um redator decide unificar os textos bíblicos dos Javistas e Eloístas, mas deve-se ter em conta que utiliza o texto javista como documento base[19].
            O objetivo do texto javista encontrado em Gn. 2,4b – 2,25 é “demonstrar que a história de Israel é uma história de salvação para toda a humanidade. E o faz, colocando antes da história de Israel uma longa introdução sobre as origens do mundo e do homem”[20]. Continua-se a expressar Deus como ser onipotente e criador, porém nesta versão se tem uma nacionalização de Deus e ainda um antropormofismo para fala d’Ele[21].
            Além disso, por ser elaborado no contexto da monarquia Salomônica ressalta sempre a Israel como povo escolhido, não anulando a possibilidade dos outros povos receberem as bênçãos de YHWH, porém são eles os escolhidos:
O próprio Israel é aquele povo antes de todos abençoado, cabendo-lhe uma posição determinante neste mundo. Os outros povos podem e devem partilhar das bênçãos de Israel, de modo que seu próprio destino depende de sua atitude como relação a ele. Trata-se daquele entrelaçamento indissociável que caracteriza a fé javista, uma fé determinada pelo seu caráter nacional e alimentada pela ideia de que existe para Israel uma situação fundamentalmente salvífica[22].
            O texto Javista, portanto, é um texto que aproxima mais Deus da humanidade do que o texto sacerdotal. Ao se fazer uma análise do texto poder-se-á observar que o hagiógrafo sempre está atento em mostrar Deus com atos propriamente humanos: “Então Iahweh Deus modelou o homem como a argila do solo”[23]; “Iahweh Deus plantou um jardim em Éden”[24] etc.

3.2 – Fontes externas: textos mesopotâmicos e babilônicos

            O texto que fala da criação Gênesis não é um texto totalmente autônomo, surgido espontaneamente da mente de seu autor. Ambos os textos surgiram em momentos de sofrimento que o povo Israelita passava e, sendo assim, recebia de outros povos histórias, relatos e mitos sobre questões que deparavam em momentos de angustia e sofrimento, como por exemplo: “De onde viemos?”
            Sendo assim, para uma compreensão atenta do texto que estudamos devemos nos ater às fontes externas vindas da mesopotâmia e também da Babilônia. Porém antes será importante destacarmos os gêneros literários que foram escritos tais relatos.
            Analisando os gêneros literários do texto bíblico Gênesis 1-11, Cimosa afirma que  são utilizados neste relato a “linguagem simbólica, que consiste em por ao lado de uma expressão de significado completo, digamos, ‘realista’, outra obtida através de transposição mental, que podemos chamar de simbílica.”[25] Para ele, a linguagem utilizada no Gênesis é simbólica, pois não se está criando uma história, mas mostrando-se de modo alegórico a experiência do povo de Israel em ver seu Deus não só o libertador, mas também tendo-O como criador. Existem outros autores que ainda afirmam este relato como uma saga[26]: “história que constitui uma compilação de sagas de conteúdo mítico na qual se pretende tratar de acontecimentos de natureza fundamental”[27].
            Sabendo-se assim dos gêneros literários utilizados nos textos podemos agora nos atermos as influências externas recebidas para a elaboração do dois textos sobre a criação no Gênesis, a saber: o poema babilônico da Criação e o poema de Gilgámes.
            O poema Babilônico narra que no início foram criados os deuses dos elementos primordiais. O deus mais hábil era Ea que venceu Apsu. Outro deus, que foi criado das águas do mar, chamado Tiamat reage e os deuses encarregam Marduk de vingar-se de Tiamat. Marduk vence e mata Tiamat, dividindo-o em duas partes: com uma constitui o céu e com outra a terra e o mar. O homem é criado, no mesmo relato, pelo deus Ea com o sangue de um deus sacrificado, Kingu, tendo assim em suas veias o sangue de um deus decaído. Ressalta-se que o homem é criado para servir os deuses[28].
            Podemos observar que no texto Gn 1, 1 – 2,4a tem o mesmo local de criação: o céu e a terra, conforme a narração após a morte e divisão de Tiamat. Além disso, a criação do homem provém de um deus, assim como neste relato o homem e a mulher são criados à imagem e semelhança de Deus. No texto bíblico se destacam diferença em relação ao poema, mas uma das mais marcantes é a criação do homem como ser próprio, dotado de liberdade, diferente do poema onde o homem é criado para servir os deuses.
            Já o poema de Gilgamés, do século XIV a. C, narra duas descrições de um jardim da felicidade: jardim da montanha e o jardim de Siduri, a deusa da vida. Este é o primeiro poema que encerra o problema da morte. Ele descreve dois amigos: Gilgamesh, rei de Uruk e Enkidu, um selvagem que conhecia a civilização. Este último morre e Gilgamesh fica desgostoso e amedrontado e começa a procurar a imortalidade. Gilgamesh atravessa as águas da morte e lá encontra um antepassado, chamado Utnapshitin, considerado o herói do dilúvio (compara-se a Noé), o qual lhe conta a história do dilúvio e ensina como encontrar a “planta da vida”. Quando a encontra uma serpente rouba-lhe e foge. Conseqüentemente, o homem deve morrer e a imortalidade ser-lhe-á inacessível.
            Comparando-se ao texto bíblico do Gn 2,4b – 3, 24 podermos observar a presença do jardim, chamado no relato bíblico de jardim do Éden. Este poema foi inspirador para a escolha da figura da serpente que engana o homem e faz-lhe cair no caminho de morte. Ainda poderíamos destacar a árvore da vida, no relato bíblico, e a planta da vida, no poema. Ambos os textos expressam a uma guarda em relação a fonte da vida: No poema, o homem deve atravessar as águas da morte, já no relato bíblico, após o pecado a árvore da vida é protegida por querubins com espadas fulgurantes.
            Deste modo, podemos observar a grande influência das culturas que estava presente na história dos redatores bíblicos. Sabemos que existiram outros poemas que estavam presentes na elaboração dos textos bíblicos[29], porém temos ciência também que estes foram os mais marcantes e influentes das fontes Javistas e sacerdotais. Também pode-se acentuar o modo como são elaborados os textos bíblicos, com as figuras de linguagem e constituídos como sagas.

4. A necessidade do homem em não estar só e a relação do homem e da mulher nos relatos da criação

O relato da criação do ser humano aparece em dois momentos, no primeiro o homem e a mulher são criados juntos à imagem e semelhança de Deus: “Deus criou o ser humano[30] à sua imagem, à imagem de Deus ele os criou, homem e mulher ele os criou”[31]. Já no segundo relato YHWH cria o homem (varão) primeiro, originado da argila e depois vendo a necessidade do mesmo em ter uma companhia cria a mulher de sua costela: “Depois, da costela que tirara do homem, Iahweh Deus modelou a mulher”[32]. Ambos os relatos mostram a presença dos dois sexos na criação, destacando ainda que eles foram criados pelo mesmo e único Deus.
            Nesta etapa de nosso trabalho iremos analisar primeiro a solidão do homem que é apontada pelo autor bíblico, mostrando a necessidade que o homem ter uma companhia a sua altura. Logo depois, pretendemos lembrar o primeiro relato, na ordem do texto final, que destaca a criação da relação do ser humano como imagem de Deus.
4.1. “Não é bom que o homem esteja só”
            Conforme visto, este relato é desenvolvido pela escola javista que expressa o origem de seu povo pelo poder e mão de YHWH. Pretende-se observar, neste tópico, o porquê da afirmação da solidão humana e da criação de uma companhia de mesmo nível.
            O texto bíblico mostra que Deus percebe a solidão humana, ao criá-lo. Mesmo mostrando-se que o homem está no local de onde viera e para onde iria voltar: “proclama a profunda comunhão do homem com a terra, sua origem, lar, tarefa e destino final de sua existência: resposta à grande pergunta: de onde viemos e para onde vamos?[33]. O homem é percebido como só. YHWH ainda cria o jardim para o ser humano, mostrando sua preocupação e seu desejo pela felicidade humana: “Este horto nada tem a ver com o mundo vegetal do poema da Criação (Cf. Gn 1, 12), mas diz respeito à preocupação divina em proporcionar à sua criatura um espaço onde pudesse ser feliz.”[34].
            Surge então a percepção da solidão humana, por parte de Deus que afirma: “Não é bom que o ser humano esteja só. Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda.”[35]. Deus mesmo constata a solidão humana, mostrando seu amor para com sua criação, expressando que está disposto a ajudar de toda forma possível o ser humano. Ele modela da terra, então, “todas as espécies de animais” desejando formar a companhia para o ser humano. O termo modelar é usado aqui do mesmo modo que em relação ao ser humano, mostrando-se assim que os animais são “irmãos do homem e co-partícipes em um futuro paraíso”[36]. É de sua importância termos ciência que os animais não são como o ser humano e o hagiógrafo destaca isso quando afirma que o ser humano é modelado do mesmo modo que os animais o são, porém o ser humano recebe o sopro em suas narinas com o hálito da vida: “insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente”[37].
            Mesmo assim permanece a solidão humana, pois o homem é superior aos animais, por este motivo pode dar-lhes nome: “Deus reconhece que o homem tem suficiente autonomia e capacidade quase criadora: por meio da linguagem indentifica-os e coloca-os no lugar que lhes corresponde no universo.”[38]. Esta tensão leva a Deus formar a mulher, pois somente ela tem uma perfeita igualdade com o homem:
A narração da formação da mulher é em tudo igual à do homem. Mesmo que se diga que ela foi tirada da costela de Adão, o autor não quer ensinar de onde ela vem, mas o que é ela. A cena é precedida da criação dos animais e do homem que lhes dá um nome (2,18-20). Assim, o homem exerce um domínio sobre os animais e mostra sua superioridade, mas uma perfeita igualdade à mulher, como é dito explicitamente no versículo 23.[39]
            Ao se dizer que a mulher será uma auxiliar não se está afirmando a menoridade da mulher, mas sim uma oposta correspondente ao homem[40]. Isto é, alguém diferente, mas que seja capaz de completar esse vazio que está no ser humano, por não encontrar alguém igual. O homem ao dar o nome à mulher não está se colocando superior, visto esta superioridade só é dada por Deus, ele apenas está expressando sua alegria em encontrar alguém que lhe seja semelhante em tudo.
            Portanto, a necessidade do homem é expressa nesta narração bíblica. O homem sente-se só e Deus constata isso dando-lhe uma companhia. Este relato bíblico vem expressar claramente que o ser humano é um ser de relação e que carece da mesma. Ainda destaca a importância da presença e completude da mulher na vida do homem (ressaltando o matrimônio, como um bem dado ao ser humano).

4.2 – “Homem e mulher ele os criou”

            Deus cria o ser humano e o modela a sua imagem e semelhança, mostrando que o ser humano é a maior de todas suas obras. Toda criação tem uma semelhança com Deus, porém o homem é à imagem e semelhança e isso já o torna sua melhor imagem: “De fato, não há nada na natureza que não guarde alguma semelhança com Deus[41] e que não possa nos ajudar a concebê-la; todavia, tomada em sentido próprio, a dignidade da imagem pertence somente ao homem”[42]. Tendo isto em vista, pretende-se analisar a afirmação do ser humano como homem e mulher sendo imagem e semelhança de Deus.
            Na narração bíblica é repetida por três a palavra imagem: “Façamos o ser humano à nossa imagem [...] Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus ele os criou, homem e mulher ele os criou.”[43]. Segundo Torralba, essa citação indicada duas vezes refere-se ao modelo (que é o próprio Deus) e a terceira ensina que a diferença entre os sexos pertence à ordem divina e que essa diferença é algo bom, pois corresponde ao que o Criador queria ao formá-los tais como são, sexuados, capazes de amar, de viver e dar vida[44]. Ora, sendo assim, é do agrado de Deus que existe essa diferença e como já podemos observar acima é somente homem e mulher que poderão se completar um ao outro.
            Ora, sabendo-se sobre o uso deste termo imagem e que essa diferença sexual é do agrado de Deus, pode-se questionar aqui, sobre o que vem a ser essa imagem de Deus no ser humano e ainda mais particularmente na diferença sexual. Sobre isso, Leloup afirma que
No pensamento judaico, o ser humano torna-se inteiro apenas em sua relação com o outro. O Gênesis (1,27) afirma: ‘No começo, Deus criou o ser humano à sua imagem, homem e mulher Ele os criou’. A expressão à imagem ‘à imagem de Deus’ não se refere apenas ao homem ou à mulher, mas à relação entre eles. O conhecimento de Deus passa pelo relacionamento do homem com a mulher, pelo encontro com o outro.[45]
            O mesmo autor ainda lembra sobre a tradição judaica e todos seus costumes que prezam pela valorização sua cultura. Sendo o casamento uma instituição divina, o ser humano é chamado a vivê-lo do melhor modo possível, seguindo as leis orientadas por YHWH:
N tradição judaica – em particular, nos midraxes -, insiste-se no fato de que um homem que não tenha conhecido uma mulher não pode ser chamado de “humano”; e o mesmo ocorre em relação à mulher. E os exegetas observam que, antes de encontrar a mulher – a alteridade –, o homem masculino chamado Adão [Adam]; e, depois do encontro, é chamado ha-adam (o homem).[46]
            Portanto, vê-se imagem e semelhança neste texto não só em cada ser humano, mas sobretudo na relação entre os mesmos de sexos oposto. O texto está dando destaque para a importante relação existente entre o homem e a mulher que expressa a vontade de Deus em tê-los como a sua imagem e semelhança.

6.  Uma tentativa de atualização do texto

            Ambos os relatos destacam a importância que é dada ao ser humano por Deus que o cria com amor e ainda com mais amor o acompanha, dando-lhe tudo o que necessita para sua existência. Sendo o maior presente a diferença sexual que lembra a importância do outro na vida de cada ser humano, mostrando sua presença e ajuda, isto é, completando-o.
            No contexto atual, vivemos um momento de crise que já está destacado no livro do Gênesis, a saber: a relação matrimonial que, muitas vezes, não tem mais objetivo de viver os valores cristãos e humanos; o individualismo contemporâneo o qual faz com que o ser humano se feche para relações direta e concretamente com o outro.
            No primeiro aspecto, o livro do Gênesis destaca a importância da relação matrimonial a qual faz com que o ser humano seja em plenitude imago Dei. Muitos homens e mulheres não desejam viver a relação como momento privilegiado para a continuação da criação: “Deus abençoou e lhes disse: ‘sede fecundos, mutiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a’”[47], mas vivem sim uma relação com o único objetivo de satisfação sexual. Ressalta-se que não se está propondo aqui que o ser humano não tenha que viver o prazer de suas relações afetivas e sexuais, mas que o viva em uma relação de responsabilidade e respeito um para com o outro. O ser humano não pode ser usado como objeto de satisfação sexual, mas como sujeito que pode gerar em uma relação de amor e responsabilidade os mesmos prazeres.
            No segundo aspecto, o livro do Gênesis aponta a importância da relação direta e presente do ser humano. Todo ser humano necessita do outro e, no relato que estudamos, o próprio Criador constata isto: “Não é bom que o homem esteja só”[48]. Na contemporaneidade, muitas pessoas têm se fechado para as relações diretas, principalmente pelos meios de comunicação social, gerando-se assim um modelo de individualismo[49]. Ainda existem aqueles que vivem um individualismo que deseja sua própria satisfação, mesmo que isso leve como conseqüência a infelicidade dos outros.
            Neste sentido, o relato do Gênesis vem apontar que o ser humano necessita de aproveitar e viver bem as relações interpessoais. Cada ser é único, porém é somente o outro, em toda sua dignidade humana, que pode completar a carência humana de relação. Por este motivo é que se mostra a criação da mulher, pois é somente ela que faz com que o homem possa se alegrar e poder compartilhar sua alegria.
            Sendo assim, pode-se concluir este texto apontando que todo relato e texto bíblico pode trazer, de forma hermenêutica, grande riqueza para um estudo e aprofundamento das questões humanas e fundamentais. O relato que estudamos, mostra claramente a importância da criação do casal humano e da instituição do matrimônio. É do desejo de Deus que o ser humano viva a suas relações afetivas de modo bem responsável e com amor, que complete física, psíquica e espiritualmente um ao outro. 
7. Referências bibliográficas
·        BÍBLIA DE JERUSALÉM, A. T. Genesis. 157. 6 ed. São Paulo: Paulus , 2010.
·        CIMOSA, Mario. Gênesis 1-11: A humanidade na sua origem. São Paulo: Paulinas, 1987. (sigla: CIMOSA, 1987, p.)
·         COMISSÃO EDITORIAL S. G. OPORTO E M. S. GARCIA. Comentário ao Antigo testamento I. São Paulo: Editora Ave- Maria, 2002:
a)      CARRASCO, Joaquín Menchén. Introdução Geral. (Sigla: CARRASCO, In: Comentário ao AT I, 2002, p.)
b)     TORRALBA, Juán Guillén. Gênesis. (sigla: TORRALBA, In: Comentário ao AT I, 2002, p.)
·        FOHRER, G; SELLIN, E. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Ed. Academia Cristã Ltda, 2007. (sigla: SELLIN e FOHRER, 2007, p.)
·         GILSON, Étienne. Introdução ao estudo de Santo Agostinho. São Paulo: Paulus, 2006. (Sigla: GILSON, 2006, p.)
·        KINDER, Derek. Gênesis: Introdução e comentário. Reimpressão. São Paulo: Sociedade religiosa Edições Vida e Associação Religiosa Editora Mundo Cristão, 1988. ( Sigla: KINDER, 1988, p.)
·        LELOUP, Jean-Yves. Jesus e Maria Madalena: Para os puros, tudo é puro. Petrópolis: Vozes, 2007.


[1] Cf. KIDNER, 1988, p.15.
[2] Trataremos mais propriamente desta escola no tópico  3.1.1.
[3] CARRASCO in: Comentário ao AT I, 2002,  p. 26.
[4] Cf. Idem, p. 17.
[5] Cf. CIMOSA, 1987, p.11.
[6] Na ordem que se tem após a compilação no século V a.C, pois como poderemos ver este relato é anterior ao citado acima.
[7] Trataremos mais propriamente desta escola no tópico 3.1.2
[8] Op. Cit, p. 10
[9] Cf. TORRALBA in: Comentário ao AT I, 2002, p. 43
[10] Cf. CIMOSA, 1987, p. 11
[11] CIMOSA, 1987, p. 10
[12] Cf. TORRALBA in: Comentário ao AT I, 2002, p.17.
[13] Gn. 2, 1-2.
[14] O sábado é uma instituição divina: o próprio Deus descansou (shabbat) neste dia. Entretanto, o vocábulo shabbat é evitado aqui, porque,segundo o autor sagrado, o sábado só será imposto no Sinai, onde se tornará o sinal da aliança (Ex. 31, 12-17). Mas, desde a criação, Deus deu um exemplo que o homem deverá imitar. Cf. Gn, 2,2 (N.T.)
[15] TORRALBA, In: Comentário ao AT I, 2002, p.41.
[16] CARRASCO, In: Op. Cit, p. 26.
[17] Gn 1, 22; 28.
[18] Cf. TORRALBA, In: Comentário ao AT I, 2002, p. 40.
[19] Cf. CARRASCO. Op. Cit. p. 17
[20] CIMOSA, 1987, p. 10.
[21]Cf. CARRASCO, In: Comentário ao AT I, 2002, p. 17.
[22] SELLIN e FOHRER, 2007, p.210.
[23] Gn 2, 7a.
[24] Gn 2, 8a
[25] CIMOSA, 1987, p. 15.
[26] As Sagas são contos que se ligam a lugares, pessoas, costumes, modos de vida dos quais se quer explicar a origem, o valor, o caráter sagrado de qualquer fenômeno que chama atenção. A saga se chama etiológica quando procura a causa de um fenômeno.
[27] SELLIN e FOHRER, 2007, p.125-126.
[28] Cf. CIMOSA, 1987, p. 16-17.
[29] Cf. CIMOSA, 1987, p. 16 – 22.
[30] Na tradução da Bíblia de Jerusalém, citada aqui, utiliza-se o termo homem, porém observando o texto à luz do pensamento de Leloup vemos que a melhor tradução se daria na terminologia ser humano. (Cf. LELOUP, 2007, p. 34.)
[31] Gn. 1,27.
[32] Gn 2, 22.
[33] TORRALBA, In: Comentário ao AT I, 2002, p.46.
[34] Idem
[35] Gn. 2,18.
[36] TORRALBA, In: Comentário ao AT I, 2002, p.48.
[37] Gn. 2, 7b. É uma descrição simbólica, que usa a antiga concepção semita, que distingue no homem três elementos: um corpo (basar), uma personalidade (nefesh) e um princípio vital (ruah ou nishmat). (Cf. CIMOSA, 1987, p. 37)
[38] TORRALBA, In: Comentário ao AT I, 2002, p.48;
[39] CIMOSA, 1987, p. 42
[40] KIDNER, 1988, p. 61.
[41] Gilson emprega o termo Trindade, porém para contextualizarmos e adaptarmos o texto mencionado ao trabalho aqui realizado, decidimos usar o termo Deus, visto que quando se utiliza Trindade no texto Gilson está se referindo ao mesmo Deus.
[42] GILSON, 2006, 416.
[43] Gn. 1,26 – 27.
[44] TORRALBA, In: Comentário ao AT I, 2002, p.41.
[45] LELOUP, 2007, p. 34.
[46] Idem
[47] Gn. 1, 28a
[48] Gn. 2,18.
[49] Individualismo aqui não é individualidade. Individualismo é o fechamento em si próprio, ou seja, um solipsismo. Já individualidade é o destaque de que cada ser humano é único e particular. A individualidade destaca a importância da relação pois o ser humano necessidade de descobrir o outro para encontrar sua individualidade e, assim, destacar a sua importância ao encontrar a do outro.